Uma dimensão a mais…

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Por que mais um blog sobre Ciência e Tecnologia?

 

A Ciência e a Tecnologia (C&T) possuem uma relação dúbia com a sociedade. Não chega a ser uma relação de amor e ódio, nem do tipo mal necessário, mas se alguns a veneram quase como a um deus, outros a culpam por tantos males causados, principalmente ao meio ambiente.

O incrível salto na expectativa de vida média do ser humano, ocorrida no século XX, já seria um enorme feito mais do que suficiente para ressaltar a importância da C&T, junte-se a isso a rapidez e a quantidade de divulgação da informação, o conforto, o aumento vertiginoso da produção de alimentos, a possibilidade de respostas para questões desafiadoras e impensáveis, o avanço no diagnóstico e tratamento de doenças e muitas outras conquistas. Não será um exagero se o século XX for chamado, no futuro, de “século da ciência”.

Mas ao mesmo tempo o ser humano nunca tinha se deparado com problemas, cujo impacto pudesse alcançar todo planeta, e que fossem provocados direta ou indiretamente pela C&T. Aquecimento global; redução da camada de ozônio; chuvas ácidas; poluição do ar, das águas e do solo; poluição sonora; doenças ocupacionais; stress provocado pelo ritmo de vida acelerado; desmatamento; extinção de animais e plantas num ritmo crescente. Estes são apenas alguns exemplos de como o progresso desenfreado pode comprometer nossa qualidade de vida.

 Pensando em uma analogia para essa relação dúbia, lembrei-me de um comentário feito há muito tempo por um professor meu: “Eu adoro meus netos. É uma alegria quando eles chegam em casa. E uma alegria ainda maior quando eles vão embora…”. Parece um pouco insensível dito assim, mas dentro do contexto ficou claro o que ele queria dizer. Difícil poder expressar o amor que um avô tem pelo neto, ou pela neta. Um amor comparável, talvez, ao que se tem pelos filhos, mas com a “vantagem” do descompromisso de educar. Há um grande encanto e orgulho dos avôs para com seus netos, e um prazer imenso em ficar próximos a eles. É como se pudessem “beber” da juventude dos netos. Porém após algumas horas, a diferença enorme de idade cobra seu preço. É difícil acompanhar tanta energia. É difícil manter a paciência com tanta teimosia. É difícil não se cansar de tanta repetição. O silêncio começa a fazer falta. Nesta analogia a C&T fazem o papel dos netos. É difícil não se encantar com elas. É difícil não sentir orgulho de suas conquistas. Mas também muito difícil ignorar seus defeitos.

Claro que as relações avôs-netos são de vários tipos. Alguns avôs ou avós fazem o papel de pais, já outros mal conhecem o neto. Assim também existem pessoas que possuem uma relação muito boa com a C&T e preferem ignorar seus efeitos colaterais ou achar que eles são inevitáveis. Como também há aqueles que odeiam a C&T como se ela fosse a causa de todo sofrimento na face da Terra e classificam muitas conquistas importantes como brinquedos tecnológicos.

Como cientista e professor da área de ciências exatas não nego minha paixão pela C&T.  Como educador não posso passar a mão na cabeça de meu neto quando ele extrapola nas brincadeiras.

Este blog procurará então enaltecer os feitos da C&T. Como um avô brincando com sua neta, tentarei falar um pouco de física, biologia, astronomia, química, matemática, engenharia, e áreas afins. Prometo não ficar bravo com os defeitos que vocês por ventura apontem que esta neta tenha cometido (como jogar bola na rua sem nunca quebrar uma janela?).

A idéia principal é tirar mais proveito do que há de melhor numa relação entre o avô e a neta: conhecimento, amor e carinho.

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9 Respostas to “Uma dimensão a mais…”

  1. Valdinéia Cristina Pereira Says:

    Querido…
    Tenho imenso orgulho de tê-lo como eterno mestre…
    A leitura do seu blog, ecoa tão bem quanto as suas aulas…
    Parabéns pela iniciativa benéfica aos blogueiros… textos claros, analógicos e empolgantes…
    Voltarei sempre…
    Bjs, saudades!!!

    Valdinéia.

  2. Fernando Camano Says:

    Oi, Jacó. Eu podia ter comentado qualquer um dos seus posts até agora, principalmente o sobre a palestra e esse aqui. Realmente, o comentário acima define muito bem sua escrita e fala: analógica, clara, fluída, empolgante e angustiante. Expressa muito bem a cursiosidade científica. Parabéns e espero mais coisas!
    Quero pedir uns temas! Fala sobre a construção científica, o pensamento crítico etc. Faça o papel do Carl Sagan hahah.
    E o Projeto Okham é genial! Foi pros meus favoritos! É a expressão do que eu sempre achei haha
    Abraço!

    • blogs oswald Says:

      Grande fernando, bom ver seu comentário aqui, temas pedidos aceitos, é só aguardar, só não poderei fazer as vezes do meu ídolo Carl Sagan ele era muito muito bom…mas tentarei chegar perto..quem sabe um dia e com as criticas de vocês… Sobre o projeto Okham é muito legal mesmo, eu ia fazer parte da equipe que atualiza o site, mas os organizadores estão sem tempo de atualizar. Agora é me dedicar a décima segunda dimensão….abração.

  3. Flávia L. Opúsculo Says:

    Jacó,

    Seu blog está simplesmente ótimo! Acesso o 12a dimensão todos os dias pra ver se foi atualizado. Quando passo por aqui dá pra matar um pouquinho das saudades das suas aulas (que, aliás, estão fazendo muita falta!). Fique sabendo que pode contar com todo o meu apoio e incentivo pra que venham muitos novos posts por aí!

    Um grande beijo!

  4. blogs oswald Says:

    Pois, meu caro, é essa “consciência da catástrofe” que faltou ao discurso do Marcelo Tas no Biscoito Fino. Se eu posso esperar isso de um cientista e professor de Física, alguém naturalmente mais inclinado a notar as benesses da C&T, por que não posso exigir mais senso crítico de um comunicador, que normalmente é mais apaixonado pelas mídias? É preciso sempre manter viva nossa desconfiança em relação às nossas invenções: nada é em si, nada é imparcial, nada é pura técnica; diria que no mundo contemporâneo, isso é essencial. É o que separa o pensador do alienado.
    Livros como “Franskenstein”, “O médico e o monstro” ou “Admirável mundo novo” são advertências eternas do que é capaz de gerar a razão abstrata, o deslumbramento, a fé cega na ciência e na tecnologia. Tenho procurado combater, em todas as oportunidades que encontro, essa praga virulenta de nossos dias: o neopositivismo.
    A você, caro Iaco, parabéns pela lucidez. E que a Ciência sempre tenha representantes assim: tão apaixonados quanto críticos.
    Adriano.

  5. Rita Baronti Says:

    Oi, Jacó!
    Adorei a analogia do avô e do neto e o fato de vc querer infatizar as relações da física com várias outras áreas!
    Lendo os posts do seu blog fico até com saudade das aulas de tese! haha
    Beijo, prof. e parabéns pelo blog!

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