Um “remédio” para o aquecimento global.

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Na semana passada assisti a um programa no Discovery Channel “Ideias para salvar o planeta – Salvação no mar” em que dois cientistas testavam com sucesso uma ideia para atenuar o aquecimento global. John Lathan, físico inglês aposentado, especialista em nuvens e Stephen  Salter, professor emérito de engenharia da Edimburg University, propõem pulverizar as nuvens com água do mar, aumentando assim a reflexão da luz solar em cerca de 10%, reduzindo, dessa maneira, a temperatura do planeta.

A ideia é até bem simples, utilizando-se de navios controlados por controle remoto e movidos a algum tipo de energia não poluente (um barco a vela, por exemplo) seriam aspergidas gotículas de água e sal, que através das correntes de convecção (correntes de ar quente) seriam elevadas até a altitude de 300m onde formariam nuvens baixas. Segundo os cientistas este tipo de nuvem conhecida pelo nome de estrato-cúmulus cobrem cerca de 25% dos oceanos. Aumentando-se a área e tornando as nuvens mais brancas, elas passarão a irradiar, de volta para o espaço, uma parte da radiação solar.

A proposta mostrou-se viável, e não apenas em teoria, segundo o programa uma tentativa foi realizada na costa Oeste da Africa do Sul, e uma grande nuvem foi formada a cerca de 300m onde antes havia apenas um céu limpo. Medidas realizadas em um avião confirmaram a presença das gotículas de água e sal.

Fazendo uma pesquisa rápida, descobri uma matéria publicada na revista Scientific American Brasil de dezembro de 2008, nela são apresentadas algumas ideias para tentar conter o aquecimento global. No que está sendo chamado de geoengenharia, espera-se poder reverter a previsão de aumento da temperatura global da Terra, e a ideia de Lathan e Sarter é comentada com mais detalhes. Mas outras propostas são apresentadas pela revista, como a liberação de milhões de toneladas de dióxido de enxofre por ano na estratosfera, até a incrível ideia, de instalar uma espécie de guarda sol gigante no espaço que atenuasse a radiação solar.

As medidas propostas são bem ousadas e controversas, além de caríssimas. De todas, a que parece mais razoável, é a de clarear as nuvens com partículas de sal, mas segundo os próprios autores da proposta seriam necessários cerca de 1500 navios movidos a energia limpa, a um custo de 3 a 5 bilhões de dólares para compensar a duplicação do CO2 que será lançado na atmosfera.

Mas o projeto enfrenta a objeção de vários climatologistas que alertam que é muito difícil prever, através de modelos, que alterações podem ocorrer no clima. Corre-se o risco de termos regiões muito frias em um local e muito quentes em outra. A quantidade de chuvas também seria alterada, além da formação de ventos.

No meu ponto de vista acho importante que tenhamos estratégias para tentar reverter, de forma rápida, o aquecimento global ocasionado pela ação humana, ou até mesmo por ação natural como a erupção de vulcões. Isso poderia minimizar os enormes efeitos danosos ocasionados principalmente pela elevação do nível dos oceanos.

Mas por outro lado, corremos um sério perigo de criarmos um remédio apenas para o sintoma. Como um paciente que sofre de infecção e toma remédio apenas para diminuir a febre.

O aquecimento global não é mais somente uma previsão, o último Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) publicado em 2007, não deixou dúvidas de que os efeitos já estão ocorrendo e a previsão é que esses efeitos continuarão aumentando, mesmo que a emissão de gases estufa seja reduzida.  

Vários países mostraram-se preocupados com o relatório e medidas para diminuição da emissão de poluentes, principalmente de gases estufas, estão sendo debatidas e colocadas em prática.

Encontrar um remédio para reverter o aquecimento pode ser um bom paliativo,  enquanto as medidas de redução dos gases estufas não surtem efeito. Isso poderia minimizar os estragos, principalmente nos países mais pobres, como os africanos, onde estima-se que mais de um milhão de pessoas serão afetadas.

Ao mesmo tempo fico preocupado que, em posse desse remédio, a redução desses poluentes deixe de ser uma das prioridades, e assim teríamos dado um passo para frente e dois para trás.

 Impedir as pesquisas ou a aplicação tecnológica de medidas de redução da temperatura global não cabe a nós, mas impedir que voltemos a ter um descaso com a emissão desses poluentes é sim missão nossa, e devemos ficar alertas.

Para saber mais sobre essas medidas consulte a referencia abaixo.

http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/um_guarda-sol_para_refrescar_a_terra.html

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3 Respostas to “Um “remédio” para o aquecimento global.”

  1. blogs oswald Says:

    Mais um artigo esclarecedor e instigante, meu velho. Abraço.
    Adriano

  2. natalia Says:

    bom ideias de salvar o planeta:
    NAO FAZER QUEIMADA
    NAO JOGAR LIXO NOS RIOS
    NAO POLUIR CORREGOS E NACENTES

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