Neutrinos mais rápidos que a luz! Relatividade derrubada ou simples mau contato?

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Em setembro do ano passado dois grupos de pesquisa viraram notícia, haviam realizado um experimento onde partículas subatômicas chamadas neutrinos percorriam certa distância em uma velocidade acima da velocidade da luz no vácuo. Fato esse que viola a Teoria da Relatividade de Albert Einstein.

 

http://www.sbfisica.org.br/v1/index.php?option=com_content&view=article&id=339:neutrinos-mais-rapidos-que-a-luz&catid=96:setembro-2011&Itemid=270

Segundo Einstein somente as ondas eletromagnéticas (luz) podem viajar a aproximadamente 300 mil quilômetros por segundo, a velocidade limite para a transmissão de qualquer informação.

Os neutrinos foram previstos teoricamente na década de 30 por conta de um tipo de desintegração radioativa, a radiação beta. Aprendemos nas aulas de química do ensino médio que o átomo é formado por cargas elétricas negativas (elétrons) e por cargas elétricas positivas (prótons). Os elétrons ocupam a parte externa do átomo, enquanto os prótons estão no núcleo, juntamente com outra partícula neutra, chamada nêutron. A radiação beta consiste da emissão de elétrons, mas oriundos do núcleo atômico, e não da eletrosfera. Nesse caso a teoria prevê que um nêutron se desintegrou, transformando-se em um próton e emitindo a partícula beta. Mas os cálculos não batiam, faltava energia. Para resolver esse problema o físico Wolfgang Pauli postulou a existência de uma partícula que levasse a energia que faltava. Enrico Fermi, brilhante físico italiano propôs o nome de neutrino (diminutivo de nêutron em italiano).

Apesar de a teoria ser consistente a detecção do neutrino demorou décadas para ocorrer, justamente por não ter carga elétrica e por ser extremamente leve sua interação com a matéria é muito sutil, tornando quase impossível sua detecção.

Com a evolução da física de partículas os neutrinos puderam ser detectados em diversos tipos de experimentos e constatou-se que eles são a segunda partícula mais abundante do universo, atrás somente dos fótons (partículas da radiação eletromagnética).

A informação publicada no ano passado de que esse tipo de partícula teria superado a velocidade da luz fez com que a maioria dos físicos duvidasse do experimento realizado por um grupo do CERN (Organização Européia para a Investigação Nuclear) em Genebra, Suíça, juntamente    com uma equipe de Gran Sasso, na Itália. Várias foram as hipóteses levantadas para erros sistemáticos (erros difíceis de serem eliminados em um experimento).

Em novembro a equipe repetiu o experimento, confirmando o resultado. Estaria a teoria da Relatividade sendo abalada?

Na verdade os físicos sabem que toda teoria cientifica tem um prazo de validade, teorias são modelos que procuram explicar a natureza, não correspondem a uma verdade absoluta. As leis de Newton permaneceram incólumes por quase 300 anos, mas no século XX ela se mostrou limitada, não conseguiu explicar o mundo subatômico, nem o mundo do muito veloz. No entanto ainda podemos utilizar a mecânica Newtoniana, só recorremos à relatividade ou a física quântica, quando o problema exige isso.

Mas esperávamos que a relatividade fosse superada por outra teoria ainda mais completa e não por um experimento como esse. Talvez por isso a maioria dos físicos tenha se mostrado desconfiado com o experimento.

E parece que a desconfiança procedia. Agora a própria equipe que realizou os experimentos afirma que descobriu dois erros nas medidas. Um mau contato em um cabo de fibra óptica e problemas na sincronização dos relógios atômicos podem ter ocasionados erros para mais ou para menos no tempo de detecção dos neutrinos. Dessa forma ou o efeito é ainda maior (neutrinos viajando ainda mais rápido do que a luz) ou a relatividade não foi violada (os neutrinos chegam após o tempo que havia sido detectado anteriormente, viajando em uma velocidade inferior a da luz).

http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=neutrinos-ainda-mais-rapidos-luz-ou-mais-lentos&id=010175120223

Agora é aguardar novos testes para sabermos como essa história vai terminar. Um resultado que confirme a relatividade fará com que os físicos afirmem: “Não falei que o experimento tava errado!”  Um resultado que confirme a velocidade dos neutrinos acima da velocidade da luz trará afirmações do tipo: “Ah, deve ter mais coisa errada.”

E assim caminha a humanidade…

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12 Respostas to “Neutrinos mais rápidos que a luz! Relatividade derrubada ou simples mau contato?”

  1. Pedro Caminada Says:

    Jacó, estou totalmente indecidido se acredito ou não. Parte de mim diz pra ficar cético, e a outra parte me diz que talvez o modelo esteja ultrapassado e precise de uma atualização.
    Não quero ser picareta, mas acho que você deveria ver o filme K-Pax. Ele trata muito interessantemente do tema, além de abordar outros. Se for apenas mais uma ficção-científica picareta, ainda é um ótimo filme.
    Talvez por ignorância, tenho uma certa fé que os neutrinos tenham ultrapassado a velocidade… e esse erro ainda me deixou mais esperançoso, por incrível que pareça.
    Abraços

    • blogs oswald Says:

      Oi Pedro, já vi esse filme, ele é legal mesmo. mas não lembro dele falar sobre isso exatamente, vamos conversar depois. sobre vc estar torcendo pelos neutrinos supraluminais tudo bem, vc é jovem e presenciar uma mudança cientifica dessa ordem seria realmente uma sensação. Eu na verdade duvido bastante, acho pouco provável, mas como disse no post, sei que Einstein não vai ficar sempre certo, na verdade a quantica ja mostrou que ele errou em outras coisas. Não exidste voz de autoridade na ciência. Mas espero que a relatividade seja suplantada de outra forma, não em um experimento tão banal. abraço
      jacó

  2. Adilson Says:

    Oi Pessoal. Não acho que existam erros ou muito menos verdades absolutas nas teorias formuladas por Einstein ou qualquer outro grande nome da Física. Oque acontece com o passar dos séculos são atualizações devido à evolução planetária e consequentemente o progresso intelectual e moral da humanidade. Cada descoberta é feita na época certa.
    Não daria para explicar, por exemplo, como uma lâmpada acende a três mil anos atrás.
    Porém hoje, uma criança no Brasil bate papo com outra na Austrália e não é tão difícil explicar como isso é possível.
    Já admitimos até que a velocidade da luz não é o limite.
    Eu particularmente sempre acreditei nisso e que, inclusive poderemos, em um futuro longínquo, viajarmos a velocidades acima de 300 mil km/s.
    Opa, para um pouco, agora quem está viajando sou eu. Deixa-me aterrissar.
    Mesmo assim, amigos, ainda temos muitas atualizações e descobertas a fazer.

    Em relação às Leis Universais, ainda estamos apenas engatinhando.
    Abraço a todos.

  3. Astrogildo Portugal dos Santos Says:

    muito legal

  4. André Scholz Says:

    Quando me mandaram essa matéria eu só respondi que tinham errado o nome: o certo é táquion, não neutrino. rsrs

  5. Manoel Enéas Barreto Says:

    Caros leitores, publiquei, recentemente, dois artigos no The General Science Journal: “Ópera e Icarus experimentos: considerações teóricas” e “Experimento Ópera: massa de “repouso” do neutrino-muón” onde mostro que os dados obtidos pela equipe do Professor Antonio Eretitato tem grande probabilidade de estarem corretos. No entanto, a teoria por mim proposta mostra que a diferença de velocidade, embora exista, estaria na de angstroms/segundo. Desta forma, acho que se acertarem de forma devida a aparelhagem do CERN as diferenças temporais continuarão a existirem.

  6. Manoel Enéas Barreto Says:

    Caros leitores, está disponível no “The General Science Journal” o artigo “Experimento Ópera: existência de uma possível correlação entre energia e tempo relativo” onde mostro previsões teóricas compatíveis com os dados experimentais disponibilizados a respeito das possíveis diferenças temporais obtidas pela equipe Ópera. Agora, é esperar os novos dados para ver no que vai dar.

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