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Pousando em um cometa – A missão Rosetta

fevereiro 16, 2015

Imagem do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko

Após um longo e tenebroso inverno retorno às postagens do Décima Segunda Dimensão. Gostaria primeiramente de pedir desculpas aos fieis leitores deste blog que apesar da demora continuaram visitando, mesmo sem a devida atualização.

Minha inatividade no blog aconteceu por diversos motivos, desde problemas técnicos até problemas de mudança profissional e de ordem pessoal. Enfim, cá estou de volta esperando poder continuar postando, talvez não na frequência inicial de uma vez por semana, mas de pelo menos uma a cada mês e espero os ricos comentários de vocês.

Como retornar? Durante esse longo período de cinco meses tive várias ideias de posts, e foi difícil escolher uma para retomar. Acabei optando por um feito que julgo de suma importância para a tecnologia espacial e até mesmo para toda a sociedade. O pouso de um artefato humano em um cometa.

No dia dois de março de 2004 a ESA (Agência Espacial Europeia) lançou ao espaço a sonda espacial Rosetta (nome dado em homenagem à famosa pedra de roseta encontrada no Egito e que ajudou a decifrar os hieróglifos egípcios). A missão dessa sonda, também chamada de Rosetta, era encontrar e orbitar um cometa, para depois lançar um módulo que conseguisse pousar no mesmo.

Após dez anos de navegação espacial, necessários para que a sonda conseguisse atingir a mesma velocidade do cometa, ela finalmente conseguiu encontrar o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko em 06 de agosto de 2014, um feito inédito em toda a história da exploração espacial. Ainda em novembro, no dia doze, outro feito ainda mais marcante ocorreu, o módulo Philae é lançado de Rosetta e pousa no cometa.

Por que esse é um feito tão importante?

Do meu ponto de vista tenho três motivos para considerar esse feito o mais surpreendente desde a chegada do homem à Lua, em se tratando de exploração do espaço. Eles justificam uma missão de 22 anos de preparação e execução, com um gasto de 1,4 bilhões de Euros (aproximadamente 4,45 bilhões de reais):

1) A enorme dificuldade técnica da missão.

2) As importantes descobertas que a missão poderá trazer sobre os primórdios da formação do nosso sistema solar e do possível papel que os cometas tiveram na formação da vida neste planeta.

3) A importância de testarmos possíveis alternativas para desvio de cometas e grandes meteoros que estejam em rota de colisão com a Terra.

Vamos analisar cada um desses motivos.

A primeira vista pode parecer fácil pousar em um cometa, uma vez que já pousamos na Lua e em Marte. Além disso, no espaço não existe resistência do ar, ventos contrários, nem semáforos, trânsito ou motoristas desatentos para atrapalhar sua direção.

Mas pousar um módulo do tamanho de uma máquina de lavar roupas, de aproximadamente 100 kg, em um cometa de 4 km de diâmetro, cuja superfície é totalmente irregular, cheio de vales, crateras, morros e pedregulhos não é tão fácil.

cronograma da missão

Não bastasse a dificuldade de encontrar uma superfície plana para o pouso temos ainda diversas complicações: o cometa não está parado, move-se a mais de 130 mil km por hora (isso mesmo) e gira em torno de si mesmo a aproximadamente 20 km/s (cerca de 72.000 km/h). O cometa não é um corpo estável como um enorme pedaço de rocha, ele possui gases em seu interior e conforme se aproxima do Sol, o calor aumenta e esses gases são ejetados a grande velocidade por alguns locais de sua superfície.

Como tem uma gravidade extremamente baixa, o módulo será atraído para ele lentamente e ao se chocar quicará e pode se perder pelo espaço se não for preso durante o choque.

Devemos lembrar ainda que todo o controle da missão é feito aqui da Terra e que o cometa estava a cerca de 500 milhões de km de distância. Tão longe, que cada informação demora aproximadamente meia hora para chegar lá. Caso acontecesse algo não previsto, os controladores receberiam a informação do problema com meia hora de atraso e teriam que agir o mais rápido possível, ainda assim a atitude tomada demoraria mais meia hora para ocorrer. Dessa forma é muito difícil saber com exatidão a posição da sonda antes e durante o lançamento do módulo.

O sucesso dessa missão servirá como um grande aprendizado de conhecimento científico e engenharia espacial.

O principal objetivo da missão é estudar os cometas, sua constituição físico- química, dinâmica de movimento e sua atividade interior. Também faz parte analisar as relações do cometa com o material interestelar e a importância na formação do sistema solar.

centro de controle da missão na ESA

Diferentemente dos planetas, os cometas sofreram pouca alteração desde sua criação há 4,5 bilhões de anos, dessa forma podem trazer informações importantes sobre a formação do sistema solar e possivelmente sobre o surgimento de vida em nosso planeta, uma vez que ele deve conter em seu interior material orgânico como os aminoácidos necessários para formação de proteínas, indispensáveis para formação da vida.

O módulo Philae  está equipado com diversos instrumentos que permitirão a análise do solo e dos gases do cometa, além de diversos outros registros como fotos e medidas de temperatura etc.

Pouco se tem falado (na verdade não vi nenhum comentário) sobre o último motivo que eu levantei. As imagens nos mostram os dados do cometa e uma comparação do seu tamanho em relação à cidade de Los Angeles. Uma colisão de um corpo celeste como esse e nosso planeta não está descartada, muito pelo contrário, sabemos que é só uma questão de tempo, uma vez que a história geológica da Terra e da Lua nos mostra que impactos dessa magnitude ocorrem com relativa frequência, a cada 100 milhões de anos. Pode parecer muito tempo, mas pensando-se na idade da Terra não é.

Comparação do tamanho do cometa 67P e a cidade de LA nos EUA

Já fiz alguns posts falando sobre essas possíveis colisões e um possível “fim do mundo”:Comet_vital_statistics1 67P CG

https://12dimensao.wordpress.com/2011/02/26/fim-do-mundo-so-em-2012/

https://12dimensao.wordpress.com/2012/01/20/2012-o-fim-do-mundo-chegou/

https://12dimensao.wordpress.com/2012/12/28/sobre-o-fim-do-mundo/

Em um deles (fim do mundo só em 2012) mencionei que há projetos das agencias espaciais e da comunidade científica para tentar impedir uma colisão desse tipo. Ao contrário do que imagina Hollywood, a melhor chance não é explodindo o cometa, mas sim tentando desviá-lo. Para isso pousar no cometa é um passo importantíssimo. A partir do pouso poderíamos tentar ejetar massa do cometa e graças à terceira Lei de Newton, ele pode mudar de rota.

Para que isso dê certo uma condição inicial é essencial, precisamos saber com bastante antecedência que um cometa, ou meteoro de grandes proporções está em nossa direção, e isso só é possível se nossa tecnologia espacial estiver muito bem desenvolvida.

Do meu ponto de vista esse terceiro motivo já é mais do que suficiente para justificar o gasto de tempo e dinheiro na missão Rosetta. Ou será que existe algo mais importante para nós do que nossa sobrevivência como espécie?

Sucesso da missão

A missão já é considerada um grande sucesso. Foi aclamada pela importante revista Science como o feito científico mais importante do ano de 2014.

Apesar do módulo Philae estar “hibernando” porque suas baterias acabaram, vários dados foram enviados durante as horas em que elas estavam operando. O módulo de pouso possui também painéis solares, mas como o pouso foi muito difícil, ele acabou ficando em uma região de sombra sem a possibilidade de recarga. Há, no entanto uma grande esperança de que com a aproximação do Sol elas possam ser reativadas e novos dados cheguem.

Além dos dados do módulo de pouso, diversas imagens estão sendo enviadas pela sonda Rosetta em sua viagem em órbita junto ao cometa. Atualmente o mesmo encontra-se em direção ao Sol, faltando 178 dias para aproximação máxima. Dessa forma a sonda poderá acompanhar a formação da famosa calda de um cometa e analisá-la como nenhuma outra sonda já conseguiu.

A missão está prevista para terminar em dezembro de 2015.

Seguem abaixo alguns links para sites e documentários sobre a missão.

 Fotos do cometa : https://

Imagens: https://

Blog do esa para a missão http://rosetta.esa.int/

Simulação da posição da nave roseta e do cometa : http://sci.esa.int/where_is_rosetta/

Reportagem g1 : http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/sonda-rosetta/infografico.html

documentário fox play (em português):  Documentário em portugues

redefinição do cometa: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=rosetta-redefine-cometa

 Documentário em ingles (discovery)  

Cometa Ison ainda está tímido

novembro 15, 2013

ison-jager (1)

Confesso que em fevereiro desse ano eu estava bem mais animado com a aparição do cometa ISON:

https://12dimensao.wordpress.com/2013/02/24/visitantes-no-ceu-cometa-em-2013-pode-brilhar-como-a-lua-cheia/

Finalmente chegou a chance de observá-lo, e o feriado de amanhã é um bom dia para isso. No entanto não será possível visualiza-lo sem a ajuda de um bom binóculo.

A aproximação máxima irá ocorrer entre o dia 26 e 28 de novembro, mas segundo o site abaixo ele dificilmente será visível do hemisfério sul. Resta a esperança de que  ele “sobreviva” à sua passagem pelo Sol (não colidindo com ele) e continue sua órbita.

Ainda há a possibilidade dele se tornar visível a olho nu, para isso deve atingir magnitude 6, por enquanto etá em oito. Para se ter uma ideia de quanto é isso, Sírius a estrela mais brilhante do céu  possui magnitude -1,45 (quanto menor mais brilhante, Sírius é tão brilhante que sua magnitude é negativa). A Lua cheia tem magnitude -12,6 e o Sol – 26,74. Portanto mesmo atingindo magnitude 6, não será fácil distingui-lo de uma estrela. Por isso é importante um binóculo, luneta ou telescópio, para que possamos visualizar sua calda.

Vejam mais detalhes na matéria abaixo.

Ps: meu binóculo já está na mala…me desejem sorte.

Notícia sobre o cometa ISON

Visitantes no céu – Cometa em 2013 pode brilhar como a Lua cheia

fevereiro 24, 2013

COMETA

Este ano pode se tornar inesquecível para os amantes de astronomia ou para quem aprecia o céu noturno.

O ano começou com o susto do meteorito que caiu na Rússia na sexta feira, dia 15 de fevereiro (para os mais de mil russos que se feriram não foi apenas um susto), justamente no dia em que era esperada a passagem mais próxima de um asteroide pelas vizinhanças de nosso planeta.

Há quase dois anos publiquei um post sobre a possibilidade real de colisão de um grande asteroide ou cometa com nosso planeta:

https://12dimensao.wordpress.com/2011/02/26/fim-do-mundo-so-em-2012/

Tal colisão poderia causar a extinção da raça humana e de boa parte dos seres vivos. Extinções em massa já aconteceram várias vezes na história evolutiva de nosso planeta, como abordei nesse post.

O asteroide do dia 15 deste ano não era tão grande nem tinha tanta massa a ponto de provocar tal destruição, mas com seus 45m e várias toneladas de massa faria um estrago bem grande em uma cidade populosa.

Felizmente esse asteroide passou a 27.000 km da Terra sem causar nenhum dano. Essa foi a maior aproximação que se tem registro, é até mais próxima do que alguns satélites de telecomunicação, que estão a aproximadamente 36.000 km de distância. Por incrível que pareça, nesse mesmo dia um meteoro explodiu próximo aos Montes Urais na Rússia, sua onda de choque provocou a quebra de várias janelas ferindo mais de mil pessoas.

Os diferentes nomes: cometa, asteroide, meteoro e meteorito são classificações que dependem do material e de como eles interagem com o nosso planeta. Cometas são feitos em sua maioria de gelo e poeira. Já os asteroides são rochosos e podem conter diversos minérios diferentes além de ferro e irídio. Quando um asteroide entra na atmosfera terrestre, ele se aquece violentamente por causa do atrito, e passa a ser chamado de meteoro. Se conseguir atingir o solo, muda-se o nome para meteorito.

Nesse ano dois cometas se aproximarão do Sol e poderão ser vistos a olho nu, se tivermos sorte. Um deles somente no hemisfério norte, mas o outro será visível no mundo todo.

De março a abril o cometa: C/2011 L4, apelidado de PANSTARRS, estará visível no hemisfério norte e a partir de novembro até o começo de janeiro C/2012 S1, apelidado ISON, poderá ser visto a olho nu.

Precisamos de sorte para visualizar um cometa porque como não são muito grandes, comparados a planetas e satélites naturais e estão muito longe, aparecem como um ponto de luz no céu, se confundindo com as outras estrelas. Portanto é preciso saber para onde olhar.

Mas como são feitos de gelo, os cometas podem nos propiciar espetáculos fantásticos. Ao se aproximar do Sol, uma parte do gelo derrete e forma-se uma longa cauda que reflete a luz do Sol e dependendo do ângulo pode ser vista numa extensa faixa do céu.

ison

Concepção artística do cometa ISON na manhã de 10 de dezembro de 2013. A vista é para o leste antes do amanhecer 1

Há vários relatos da aparição de cometas ao longo da história, geralmente considerados sinal de mau agouro, além de mensageiros de epidemias, pragas e guerras.

A última grande aparição de um cometa foi justamente a do mais famoso deles, Halley,  em 1910. Segundo notícias da época, quando ele estava alto no céu, sua calda chegava até a linha do horizonte.

Halley tem esse nome por causa do astrônomo Edmond Halley, astrônomo amigo de Isaac Newton, que em 1696 calculou seu período em 76 anos, isto é, ele efetua uma volta em torno do Sol a cada 76 anos. Em 1986 a volta do cometa Halley foi ansiosamente aguardada, inclusive por mim que estava no segundo ano da Faculdade de Física. Mas o planeta Terra e ele estavam em lados opostos do Sol e sua aparição foi pífia, não sendo possível visualizá-lo sem um telescópio.

Os astrônomos estão apostando suas fichas em ISON, segundo cálculos ele será tão brilhante como uma Lua cheia e se sua calda estiver no ângulo certo em relação a nós, poderemos ser contemplados com imagens como essas concepções artísticas:

ison 2

Concepção artística de ISON, visão para o oeste, na noite de 18 de dezembro de 20131

ISON precisará também sobreviver à sua passagem em torno do Sol. Há um risco dele ser tragado para dentro de nossa estrela. Nesse caso deixará de existir, como acontece com vários cometas.

O periélio do cometa ISON, isto é, sua maior aproximação do Sol, acontecerá em 28 de novembro, o dia do meu aniversário, espero que ele possa me presentear com uma bela aparição.

Referências bibliográficas:

ROMANZATI, NATACHA. Cometa se tornará mais brilhante que a lua cheia – Hypescience – O universo em um clic.  Disponível em : http://hypescience.com/2013-o-ano-dos-grandes-cometas/  Capturado em 23/02/ 2013