Archive for the ‘Física e Arte’ Category

Será mesmo simples esse pêndulo?

abril 23, 2014

Para aqueles que ainda não acreditam que há beleza na física ou em uma fórmula matemática segue  a dança dos pêndulos ou Pêndulo de Onda:

Tudo parece ter começado com o brilhante Galileu Galilei: durante uma missa ele observou que a oscilação de um lustre parecia permanecer constante. Após alguns estudos constatou que o período do pêndulo (tempo necessário para ele completar um ciclo) não dependia de sua massa, mas somente do comprimento do fio (e da aceleração da gravidade local), chegando à expressão:

Onde L é justamente o comprimento do fio e g o valor da aceleração da gravidade local (no laboratório podemos usar um pêndulo simples para determinarmos com relativa precisão o valor da aceleração da gravidade de nosso planeta).

A dança dos pêndulos mostrada no vídeo é produzida ajustando-se o período de cada pêndulo através de diferentes comprimentos do fio. Dessa forma se eles começarem a oscilação juntos ficarão fora de fase e uma ilusão de óptica criará em nossa mente a impressão do movimento.

Nesse vídeo o pêndulo maior efetua 51 oscilações em um tempo de 60 segundos. Após esse tempo todos os pêndulos voltam a ficar em sincronia e a dança recomeça.

Isaac Newton também estudou os pêndulos e muitos devem conhecer o “brinquedo” mostrado no vídeo abaixo. Ele é um bom exemplo de como podemos encontrar simetria nas leis da natureza. A conservação da energia e da quantidade de movimento no pêndulo de Newton não é tão fácil de explicar, mas sua beleza pode ser admirada mesmo assim.

 

 

 

Isso que dá ter um pai físico

Isso que dá ter um pai físico

 

Nesse outro vídeo podemos ver de outro ângulo e também um pouco de como o pêndulo de ondas foi construído:

 

 

 

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Física para poetas

março 16, 2012

Segue uma entrevista com o Físico Marcelo Gleiser, exibida em 23/11/2010 pelo programa de TV Itaú Cultural.

Além de físico, Marcelo Gleiser é professor, escritor e roteirista. Brasileiro formado pela PUC do Rio de Janeiro obteve seu doutorado na Inglaterra e desde 1991 é professor de física e astronomia na universidade Dartmouth College, Hanover, EUA. Fez trabalhos no Fermilab, em Chicago, no Institute for Theoretical Physics da Califórnia.

Escreve no jornal Folha de São Paulo, na coluna de divulgação científica e publicou no Brasil quatro livros de divulgação científica e um romance, onde mescla a vida e a obra do astrônomo Johannes Kepler:

A dança do universo

O fim da Terra e do Céu

Retalhos Cósmicos

A harmonia do mundo

“Criação Imperfeita: Cosmo, Vida e o Código Oculto da Natureza”

Além de seus próprios livros, Marcelo Gleiser também é responsável pela edição de coleções de divulgação científica e por programas televisivos no Brasil, na Inglaterra e nos EUA.

Alguns físicos, na verdade muito poucos, criticam os livros do Marcelo Gleiser dizendo que ele não é muito rigoroso, simplificando demais a ponto de distorcer alguns conceitos. Eu discordo. Erros e simplificações sempre vão existir em livros de divulgação científica. O Brasil é muito carente desse tipo de leitura e de um trabalho tão importante de divulgação. Li três de seus livros (A dança do universo, retalhos cósmicos e a harmonia do mundo) e gostei dos três, recomendo fortemente, principalmente o primeiro.

Nos Estados Unidos seu curso na universidade é apelidado de Física para Poetas, pois destina-se ao público que não vai seguir a carreira na área de exatas.

Segue então a entrevista, essa é só a primeira parte, para ver a segunda e ultima, basta clicar no vídeo que aparecerá após o termino da primeira parte.

 

 

 

 

Matrix e a física – Cinema e ciência

maio 27, 2010

Amanhã as 14:00 horas no colégio OSWALD DE ANDRADE assistiremos ao filme Matrix   de 1999, dirigido pelos irmãos Wachowski e protagonizado por  Keanu Reeves. Em seguida faremos uma conversa onde este que vos fala (ou melhor, escreve) discutirá as relações entre a física e o filme. Na verdade pretendo discutir mais sobre a importância do filme e alguns elementos da ficção científica, do que traçar paralelos entre a física e o filme.

Esta idéia veio de um convite, feito pelo grêmio do colégio, e  pretende retomar uma prática antiga de exibição de filmes com posterior discussão feita por um convidado.

Espero que você possa comparecer e discutir com a gente sobre esse filme tão importante para a ficção científica. Data: 28/05/2010 – 14 horas – Colégio Oswald de Andrade – Endereço: Rua Cerro Corá, 2375 – Alto da Lapa

LOST:QUANDO A FICÇÃO ENCONTRA A FÍSICA.

abril 6, 2010

Quando entrei na graduação de Física quase todos meus colegas eram fãs do seriado Star Trek (no Brasil Jornada nas estrelas). Particularmente eu era exceção, não porque não gostasse, mas porque o horário do seriado coincidia com o da novela e minha mãe não abria mão de assistir ao teledrama.

Hoje a TV a cabo possui vários seriados que fascinam amantes da ciência ou de ficção cientifica. A comédia  “The Big Bang theory” traz no próprio nome a referência de uma teoria da Física. CSI: Crime Scene Investigation (no Brasil CSI: Investigação Criminal) é um show de efeitos especiais e usa várias áreas da ciência para desvendar crimes.  Mas a sensação do momento nos últimos anos é Lost. Mistérios não faltam naquela ilha e as explicações para os mesmos têm levantado as mais variadas discussões em fóruns, blogs, twitter, Orkut e rodas de conversas.

É bastante claro que a intenção dos autores é mesclar mistério, ficção e ciência. Eletromagnetismo, viagens no tempo, armas  nucleares, professores de Química e até uma referência direta a um dos maiores físicos experimentais, Michael Faraday, que empresta seu sobrenome a um dos personagens, Daniel Faraday, que não por acaso é um físico que vai parar na ilha em busca de testar suas teorias. Agora, na última temporada da série mais uma área exótica da Física: os universos paralelos.

O seriado conquistou muita gente, aficionados ou não de ciência. Muitos alunos vêm me perguntar sobre a física de Lost e até propor uma aula sobre a série, pois acreditam que a Física possa responder aos inúmeros mistérios da ilha, inclusive a enigmática fumaça preta que desde a primeira temporada intriga a todos.

Em 2008 o seriado foi abordado à luz da Física moderna no trabalho de tese do Colégio Oswald de Andrade  intitulado Física não é só para nerds.  Os rótulos atribuídos àqueles que se dedicam à ciência. Apesar de ser um trabalho do ensino médio,  a aluna Maria Fernanda Sader Basile discute as relações da Teoria da Relatividade e da Física Quântica com os mistérios da ilha. A abordagem do trabalho não era sobre o que está errado ou certo no seriado, até porque o seriado não tem nenhuma obrigação de ser fisicamente correto, a crítica foi sobre o pré-conceito que os amantes da ciência sofrem, como se gostar de Física ou Matemática fosse sinônimo de pessoas que são completos bitolados como mostram alguns filmes caricatos. Em Lost é possível perceber como a ciência pode ser instigante e desafiadora, como um suspense de Hitchcock.

Uma crítica que pode ser feita ao seriado é o uso que se faz do eletromagnetismo. No final do século XIX, quando o mundo começava a conhecer as aplicações do eletromagnetismo, muitos fenômenos dessa área da Física eram apresentados como números de mágica ou atrações circenses. Estranhamente parece que esse modismo voltou. Palmilhas magnéticas, colchões magnéticos, garrafas térmicas magnéticas, e até calcinhas magnéticas são anunciadas para venda. O magnetismo parece estar associado a milagres impressionantes. O manual da garrafa magnética, por exemplo, diz que o magnetismo quebra as moléculas de água e com isso propriedades terapêuticas são obtidas. Bem, confesso que não sei se é possível quebrar as moléculas de água usando campos magnéticos tão fracos quanto os produzidos pelos ímãs da garrafa, mas, ainda que isto seja possível, quando estou com sede quero beber água (H2O com sais minerais) e não uma molécula de água “quebrada” (o que seria uma “molécula quebrada” de água? Hidrogênio? Oxigênio? Água oxigenada? Na dúvida fiquei com meu filtro de barro mesmo).

Por ser uma série tão inteirada com as novidades científicas, achei estranho que os autores de Lost fizessem uso justamente do eletromagnetismo como fonte de energia para provocar as viagens no tempo e outros efeitos. Autores tão imaginativos deveriam ter buscado inspiração em outras fontes de energia, mas, como já disse, o seriado é uma ficção e, portanto, não possui nenhum compromisso com as verdades científicas.

Apesar deste detalhe, a série é muito intrigante, principalmente pelas amarrações que vão acontecendo entre os personagens desde a primeira temporada. Parece que o sucesso da série foi tanto, que os autores decidiram adicionar mais uma temporada. Com isso algumas amarrações ficaram embaralhadas e confusas. A expectativa agora é saber se eles vão conseguir atar esses nós e ainda por cima solucionar todos os mistérios.  Mas para mim o principal já foi conseguido, mostrar que a ciência, principalmente a Física, não precisa ser enfadonha e cheia de fórmulas incompreensíveis. Ainda que o seriado não seja sobre ciência, ela serve como um pequeno pano de fundo para uma aventura instigante.

Um dos capítulos de que mais gostei foi o episódio 5 da quarta temporada, quando o personagem Desmond está enlouquecendo pois sua mente está viajando no tempo. Ele fica revendo momentos do passado juntamente com o presente e isso vai levá-lo ao colapso. Segundo o físico Daniel Faraday, sua única chance é encontrar uma constante para deter as viagens. Desmond então conversa por telefone com sua amada Penny e assim consegue estabilizar-se no presente. Achei genial a idéia de ser necessária uma constante para frear as viagens incessantes que caminhavam para o infinito. Na teoria do caos existe algo assim: são os chamados atratores, pontos para os quais uma série infinita pode convergir. Não importa se os autores tenham se inspirado nisso ou não, o que importa é que a forma como eles criaram esse episódio foi muito emocionante.

Arte e ciência vivem se encontrando e flertando uma com a outra. Ainda que tão diferentes na forma de operar, podem, quando na dose certa, nos brindar com uma excelente história. Desde um conto de Borges ou Cortázar a uma história de Asimov. Na literatura de Eça de Queirós ou na pintura de Picasso. Nas alucinantes obras de Escher  ou nos inventos de Da Vinci. Assim como o sal e o açúcar fornecem diferentes gostos à comida quando colocados em pratos separados, misturá-los em um mesmo prato pode nos trazer gratas surpresas.