Archive for the ‘Física e futebol’ Category

Médico brasileiro está prestes a realizar um grande sonho: Devolver a um paraplégico a sensação de caminhar novamente.

maio 17, 2014

 

O médico brasileiro Miguel Nicolelis, chefe do programa: “Walk again” (andar de novo), divulgou ontem (16 de maio de 2014) um vídeo onde mostra um paciente paraplégico dando os primeiros passos utilizando um exoesqueleto.

O exoesqueleto é um equipamento desenvolvido a partir de uma colaboração internacional entre a Universidade de Duke, nos Estados Unidos, O Instituto de Tecnologia de Lausanne, na Suiça, o Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS), além da Universidade da Califórnia, Davis e a Universidade de Kentucky, também nos Estados Unidos.1.

O programa Andar de Novo pretende que o pontapé inicial da abertura da copa do mundo seja dado por um paraplégico utilizando este exoesqueleto. Dessa forma Nicolelis pretende chamar a atenção de todo o mundo e conseguir mais recursos para seu ambicioso projeto.

Aliás a ambição de Nicolelis vai longe, apesar de trabalhar a muito tempo nos EUA, conseguiu recursos financeiros e políticos para criar, juntamente com Sidarta Ribeiro e Claudio Mello, o Instituto Internacional de Neurociências de Natal, na capital do Rio Grande do Norte. Esse instituto foi criado com a intenção de trazer de volta para o país cientistas renomados e incentivar as pesquisas de ponta em nosso país, na área da neurologia e fisiologia.

Mas qual a grande diferença entre o exoesqueleto que está sendo desenvolvido pelo projeto e uma cadeira de rodas motorizada?

O exoesqueleto do projeto é movido por ondas cerebrais enviadas pelo paciente e lido por uma espécie de touca, que capta e interpreta esses sinais, enviando então ao aparelho os comandos para o movimento. A touca tenta restabelecer a conexão entre o cérebro e os músculos que foi perdida por algum trauma, mas quem produz o movimento é a máquina. O objetivo final desse estudo é poder restabelecer essa conexão perdida e dispensar o exoesqueleto, mas enquanto isso ele pode fazer com que o tetraplégico possa caminhar novamente.

O programa de Nicolelis já havia conseguido diversos progressos com animais (ratos e macacos), mas somente agora ele divulga os testes com humanos.

Se você não tinha motivos para torcer nessa copa, espero que essa notícia tenha lhe dado um motivo para torcer por esse brasileiro e seu grupo.

Veja o vídeo

Para saber mais:

 

IINN- ELS – Site official: http://www.natalneuro.org.br/

1 – Portal G1 – http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/05/video-publicado-por-nicolelis-mostra-paciente-andando-com-exoesqueleto.html – acesso em 17/05/2014

Porta Terra – http://noticias.terra.com.br/ciencia/pesquisa/paciente-volta-a-andar-com-exoesqueleto-de-nicolelis,773cb10b64706410VgnVCM3000009af154d0RCRD.html – acesso em 17/05/2014

Nicolelis, Miguel – Muito além do nosso eu – A nova neurociência que une cérebro e máquinas – e como ela pode mudar nossas vidas .  Cia das Letras

 

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Física e Futebol – Ciência e Corinthians

dezembro 7, 2011

Descobri alguns sites interessantes que relacionam física e futebol (vejam nos links abaixo). Eu mesmo já postei três artigos sobre a jabulani, a bola da copa e o chute de Roberto Carlos na copa da frança:

https://12dimensao.wordpress.com/category/fisica-e-futebol/

Eu poderia falar sobre a mecânica dos movimentos. Ou sobre os efeitos aerodinâmicos do ar sobre a bola, ou de chutes com efeitos, rotação, translação.

Poderia falar sobre o movimento ondulatório das olas feito pela torcida. Sobre a acústica dos diversos sons diferentes. Dos agudos, dos graves, dos ecos, da reverberação.  Dos breves silêncios.

Poderia dissertar sobre óptica. As cores das camisas, as luzes dos fogos, as ilusões de óptica, a difusão através da fumaça.

Ensinar sobre oscilações das arquibancadas, movimentos harmônicos, críticos, ou oscilações forçadas.

A biologia das fantásticas sinapses, que provocam encantos por serem as responsáveis pelos dribles fantásticos, defesas milagrosas, passes desconcertantes, tudo isso poderia ser explorado ao extremo.

Não esqueceria da eletrônica do painel, da energia dos refletores, da informática dos tira-teimas.

Se há matemática? E como!  A trajetória da bola, sistemas caóticos no campo e na torcida, medidas, contagem, probabilidades. Enfim, uma infinidade de coisas.

Mas hoje  tudo isso será ignorado.

Hoje a paixão pela ciência dará lugar à paixão pelo esporte, pela emoção de mais um titulo conquistado, pela vibração de 40 mil torcedores vibrando e cantando sem parar.

Se a morte do ídolo tirou-me lágrimas, a vibração de assistir, ao vivo, ao maior espetáculo da terra, me trouxe a alegria e a rouquidão de tanto gritar:

– É CAMPEÃO!!!!!

http://www.cienciamao.usp.br/cienciasfisicas/index.php?painel=36

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-47442004000400003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=1840&op=all

http://www.univesp.ensinosuperior.sp.gov.br/preunivesp/115/f-sica-no-futebol-.html

Mais sobre a Jabulani…

novembro 4, 2010

Lendo os posts sobre a Jabulani, a bola da copa do mundo, que causou tanta polêmica, minha amiga e professora de matemática, Aline Matheus, comentou que um matemático conhecido nosso, tinha publicado um artigo sobre a bola, fazendo uma análise matemática da forma como ela é construída. (José Luiz Pastore de Mello  – PAINEL I: A JABULANI – REVISTA DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA No 73).

Pedi que a Aline fizesse um post para ser publicado aqui no 12ª. Dimensão, mas fim de ano para professor é como 25 de dezembro para Papai Noel, então procurei o artigo do José Luiz e  o achei muito interessante, principalmente depois de assistir ao vídeo, que ele recomenda, mostrando o processo de fabricação.

Não percam a chance de aprender um pouco de matemática e relacioná-la ao esporte mais famoso do mundo. Por exemplo, vocês sabiam que o interior da bola tradicional é feita a partir de um icosaedro truncado e que o interior da Jabulani é feita a partir de um dodecaedro? Pois é, leiam o artigo, é bem curto e muito didático, ele está no link abaixo (se você não sabe o que é um icosaedro truncado não fique triste, tem figuras coloridas mostrando que “bicho é esse”):

http://www.rpm.org.br/conteudo/73/jabulani.pdf

Já o vídeo da fabricação da bola está em:

Recentemente, físicos franceses estudaram a trajetória que a bola fez, numa cobrança de falta, do então lateral esquerdo da seleção brasileira Roberto Carlos. Eles conseguiram modelar uma função matemática que descreve de forma perfeita a trajetória da bola desde o chute até o balançar das redes, neste jogo que terminou em empate por 1 X 1, contra a frança, em um torneio em Lyon, em 1997.

Na época muitos comentaristas afirmaram que o gol desafiava as leis da física, pois é, estavam errados. Os franceses estudaram e conseguiram provar que a física pode explicar um gol tão estranho. Será que foi por isso que eles nos derrotaram no final da copa do mundo no ano seguinte?

Não que sirva de consolo, mas veja o vídeo do gol e a explicação física usando computação gráfica.

Resta a pergunta, Roberto Carlos repete uma dessa com a Jabulani? Eu aposto que sim.

http://oglobo.globo.com/esportes/mat/2010/09/02/cientistas-desvendam-segredo-de-famoso-gol-de-falta-de-roberto-carlos-917535960.asp

Jabulani a bola da copa desvendada pela física (II) – IPT analisa a bola

junho 30, 2010

Diferentes versões da Jabulani

No programa da rede globo: “Central da copa” do dia 20/06/2010 a jabulani foi novamente o assunto. A equipe do programa levou a bola para ser analisada no IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. Os cientistas colocaram a bola num túnel de vento e compararam os resultados com uma bola comum.

Segundo o jornalista que acompanhou o teste os resultados mostraram que em uma bola comum o ar contorna a bola, evolvendo a mesma, já com a jabulani o ar passa por sobre a bola.

O programa ainda disse que as bolas ao serem chutadas saem em linha reta até certo ponto,  que eles chamaram de ponto de crise. A partir deste ponto a trajetória da bola fica incerta e pode fazer curvas. Este ponto de crise seria ocasionado, segundo o repórter, por uma diminuição da aceleração da bola. No caso da Jabulani esse ponto de crise viria bem antes das outras bolas, assim ela ficaria em linha reta por menos tempo.

Normalmente programas jornalísticos não utilizam uma linguagem  científica, pois tentam traduzir para uma linguagem popular conceitos muitas vezes complicados, por isso acabam cometendo simplificações excessivas. Sou contra uma critica a essas simplificações, pois acho que o nosso país, e o mundo em geral, carecem de mais notícias científicas, ainda que simplificadas ao extremo. Como nesse caso o programa buscava uma matéria científica, me sinto a vontade para uma pequena crítica aos termos usados.

A aceleração é um conceito físico associado ao conceito de força: Força resultante é igual ao produto da massa pela aceleração (lembram-se dessa fórmula? Conhecida por muitos como Segunda Lei de Newton, apesar dele nunca ter escrito isso). Como a força é uma interação entre dois corpos, ao se chutar uma bola há uma interação entre o pé e a bola, um contato físico. Assim que a bola sai do pé do atleta, não há mais força, apenas velocidade e energia. Portanto afirmar que ocorre uma diminuição da aceleração está errado. Ao ser chutada a bola sai com velocidade máxima e devido à resistência do ar ela vai sofrendo uma redução da velocidade e não de aceleração.

Mas deixando a física um pouco de lado e falando de futebol, as criticas feitas à jabulani não parecem ter muito fundamento. O próprio Luis Fabiano, que tanto criticou a bola, a  está tratando muito bem e fazendo lindos gols (aquela tentativa ridícula de um passe de calcanhar foi apagada de minha memória, por isso não conta).

O ex craque e ídolo corinthiano Marcelinho Carioca mostra nesse vídeo como a jabulani pode ser usada a favor do atacante:

Segundo ele a bola vai onde você quer, e um bom batedor pode tirar muito proveito dela, por isso Daniel Alves não a teria criticado.

A bola foi criada pela Adidas em 11 cores diferentes para fazer uma referência aos 11 dialetos e etnias da África do Sul. O significado de Jabulani é “celebrar” em isiZulu. A adidas fez um outra bola para a final da copa, seu nome é Jo´bulani uma homenagem a Joanesburgo chamada por muitos de Jo´burg.

A adidas rebateu as críticas atacando, segundo ela as criticas foram feitas principalmente por atletas cujo patrocinador é a concorrente Nike.

Com todas essas polêmicas,  a bola está fazendo tanto sucesso quanto os jogos. Resta agora resolver a seguinte questão, qual será o nome da bola utilizada na próxima copa, aqui em nosso país? Mandem sugestões.

Jabulani. A bola da copa desvendada pela física

junho 15, 2010

Hoje ouvi  do meu ídolo de infância (eu tinha só cinco aninhos quando ele foi campeão mundial) Rivelino, que no tempo dele é que as bolas eram ruins, e eles jogavam  bem assim mesmo. Mas dois físicos australianos, especialistas em aerodinâmica de bolas esportivas afirmaram que a Jabulani realmente tem características muito diferentes das bolas anteriores.

Derek Leinweber e Adrian Kiratidis são físicos da universidade de Adelaide e afirmam que a nova bola tem uma textura  com pequenos sulcos e aero ranhuras que criam uma turbulência em torno da bola suficiente para sustentar uma distância maior. Além disso ela é uma bola mais rápida e mais dura.

Graças a essas características espera-se que essa bola faça mais curva do que qualquer outra bola. Comparando-se com a anterior, chamada Teamgeist que também fazia mais curva que a bola tradicional, a Jabulani fará curvas ainda mais acentuadas e chegará com uma energia maior. A Teamgeist era uma bola estremamente lisa, bem diferente da jabulani,  e tinha como característica uma queda acentuada caindo repentinamente no final de sua trajetória.

Apesar das reclamações iniciais, os jogadores estão aprendendo a chutar com efeito tornando a trajetória da bola completamente errática, tornando a vida dos goleiros ainda mais dificil.

É uma pena que o estudo não tenha vindo de físicos brasileiros, já que se diz que aqui é o país do futebol. Parece que por aqui ainda estamos na fase de quem gosta de bola não gosta de ciência e vice-versa. Mas tenho certeza que isso é passageiro, pois física e esporte tem tudo a ver.

Vai Brasil!!!!!!!!!!!!!