Posts Tagged ‘combustíveis’

Nem carro, nem ônibus, nem trem: Barco

fevereiro 18, 2014

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Lendo a matéria publicada na revista Trip, sobre a proposta do arquiteto Alexandre Delijaicov, de transformar São Paulo numa cidade fluvial, me lembrei de que sempre pergunto aos meus alunos : “E se lá atrás, antes de Ford desenvolver a linha de montagem, tivéssemos pensado em todos os problemas que o automóvel nos traria? Será que não teríamos optado por um transporte público? Será que não teríamos dito “não” ao transporte individual?”.

Hoje não dá para saber qual teria sido o resultado dessa opção, mas sabemos o resultado da opção que foi tomada: Só o transito brasileiro mata, sozinho, mais do que qualquer guerra, congestionamentos imensos que roubam preciosas horas de nossos dias, poluição monstruosa responsável também por mortes “silenciosas”, e tantos outros problemas.

Não podemos voltar no tempo e consertar isso, mas podemos tentar inverter a lógica e no caso de São Paulo (e acredito que em várias outras cidades brasileiras) abrir rios e córregos onde hoje está uma grande avenida.

Essa é a proposta desse arquiteto, leiam a matéria e opinem aqui no blog:

São Paulo e o Rio

 

 

 

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E o óleo parou de vazar. Parou? (Parte III)

agosto 9, 2010

A petrolífera BP afirmou que finalmente conteve o vazamento de petróleo no golfo do  México. Após mais de três meses jorrando diretamente para a superfície do mar, devido a uma explosão da plataforma “Deepwater Horizon”, estima-se que cerca de 5 milhões de barris de petróleo tenham vazado,  o que equivale a aproximadamente 780 milhões de litros, contaminando mais de 4 estados americanos.

Mesmo sendo da área de exatas, e por isso ter facilidade de lidar com números, fico sem saber ao certo a dimensão desses números. 780 milhões de litros! Daria para encher o tanque de 15,6 milhões de automóveis (considerando-se um média de 50 litros cada). A frota da cidade de são Paulo é de seis milhões e oitocentos mil em junho de 2010, e no estado todo cerca de vinte milhões. Para se ter uma idéia do tamanho da mancha veja sua imagem se comparada ao mapa de São Paulo. A mancha cobriria toda a grande São Paulo, alcançando o interior e o litoral.

Apesar de o vazamento ter sido contido, a limpeza do oceano está longe de ter acabado. O governo Americano afirma que vai cobrar multas pesadas da companhia responsável, a qual afirma já ter gasto 6,1 bilhões de dólares com o vazamento.

As imagens são impressionantes e terríveis desse que foi o maior acidente ecológico com vazamento de petróleo. O maior derramamento ocorreu de forma intencional quando na guerra do golfo de 1991 as forças iraquianas despejaram no golfo pérsico cerca de 5 a 10 milhões de barris.

Mas derramamentos de óleo são uma constante em nossos mares. Hoje mesmo temos notícia de um navio panamenho que colidiu com outra embarcação no mar arábico e encontra-se virado, a guarda costeira tenta conter o vazamento de óleo. Ontem algumas praias de Búzios no Rio de Janeiro amanheceram com manchas de óleo, ainda não se sabe a origem do vazamento.

A continuar assim a expressão “uma gota d água no oceano” vai perder o sentido. 

 

E o óleo continua vazando

junho 2, 2010

Já faz 40 dias desde o acidente com a plataforma de petróleo Deepwater Horizon e o vazamento de petróleo no golfo do México ainda não foi contido. Em 5 de maio postei um artigo aqui https://12dimensao.wordpress.com/2010/05/05/o-oleo-esta-vazando/ comentando sobre esse desastre ecológico, que hoje já é o mais grave derramamento de óleo da história e o pior acidente ecológico nos Estados Unidos.

Na quinta feira (27/05)  a companhia responsável pela plataforma British Petroleum (BP), havia anunciado que uma tentativa inédita parecia ter dado certo, a injeção de lama e posterior cobertura com cimento. Mas a própria companhia anunciou no sábado dia (26/05) que o plano não deu certo e agora tentarão deter o vazamento usando outra técnica, serrar o cano e cobrir com uma cúpula.

Até agora já foram derramados no mar cerca de 80 milhões de litros de óleo, que estão contaminando as praias da Louisiana e matando peixes e aves.

Imagem de satélite da mancha de óleo no golfo do méxico

Na edição de sábado do New York Times há uma denúncia de que em junho de 2009 a própria companhia já havia sido alertada pelos seus técnicos de que o revestimento de metal utilizado poderia não agüentar sob a forte pressão. Mas a companhia ignorou o aviso.

Segundo o governo americano e a própria empresa não há mais esperança de uma contenção imediata do vazamento. A melhor estimativa parece ficar para agosto.

Parece inacreditável que tenhamos uma tecnologia incrível para perfurar em profundezas absurdas, e até em camadas como o pré-sal, mas não temos tecnologia para conter um vazamento. Imagine se uma torneira de sua casa arrebentasse e durante 40 dias a água vazasse sem parar. Desesperador não? Agora imagine se dessa torneira saísse óleo e não água. Bem pior.

Não podemos pensar nesse acidente como um problema americano. É o oceano que está sendo contaminado. E não foi um navio que vazou, não é uma quantidade fixa derramada. Trata-se de um poço inteiro vindo à tona.

O que podemos fazer além de torcer para que esse problema seja logo resolvido? É muito frustrante olhar para as imagens que mostram esse óleo sendo derramado. O ouro preto saindo pelo ralo. Mas não podemos esquecer que, em termos ecológicos, a emissão desse poluente no mar é apenas uma questão de desvio de rota. Após ser queimado, esse óleo iria contaminar o ambiente do mesmo jeito, claro que não de forma concentrada como agora, não teríamos animais sendo mortos dessa maneira, mas respirando aos poucos a poluição de forma diluída. Dá o que pensar.

O óleo está vazando

maio 5, 2010

Prometi a vários alunos que, neste fim de semana que passou, iria escrever um post sobre uma revolução que deve acontecer na área da computação, graças à obtenção de um novo tipo de processador. Mas resolvi adiar este post por mais alguns dias depois de me informar melhor sobre esse terrível acidente que aconteceu no golfo do México: a explosão da plataforma de petróleo Deepwater Horizon, ocorrida no dia 20 de abril. A explosão matou 11 pessoas e o derramamento de óleo é calculado em cerca de 5 mil barris por dia o que equivale a cerca de 800 mil litros de petróleo.

A mancha de óleo representa atualmente uma área de 74,1 mil quilômetros quadrados o que equivale a 50 vezes a área da cidade de São Paulo, segundo a BBC, e é maior que a área da Jamaica segundo a CNN.

O pior é que já faz treze dias desde a explosão e nenhum dos três vazamentos foi fechado. A utilização de robôs para tentar fechar possíveis válvulas não deu certo. Pensa-se agora em colocar um bloco de concreto de 70 toneladas a uma profundidade de 1500 m, algo nunca tentado antes. Outra possível solução que começou a ser feita ontem, é a perfuração de outro poço próximo ao local do vazamento para reduzir a pressão e conseguir selar de vez o rompimento, mas isso pode levar várias semanas.

Em tempos de crise financeira não é fácil assumir uma perda de 430.000 dólares, jogados diariamente no mar (considerando o valor de 86 dólares o barril de petróleo), mais o custo de 350 milhões de dólares da plataforma e o dobro disto para sua substituição, seis milhões de dólares diários para tentar conter o vazamento e as perdas provocadas pela suspensão da pesca local que devem chegar a 2,4 bilhões de dólares.

Mas como contabilizar a perda de vidas humanas e o real alcance de um desastre ecológico dessa proporção?

Em meu post: Uma dimensão a mais…comentei sobre a relação dúbia que a ciência e a tecnologia têm conosco. Acidentes como esse, ou como a  explosão da usina nuclear de Chernobyl, ocorrida em 26 de abril de 1986 são exemplos de como a tecnologia pode causar impactos ambientais enormes, ainda que sua probabilidade de ocorrência seja mínima.

A relação dúbia surge porque não podemos abrir mão do conforto de nossos carros, do calor dos aquecedores residenciais, da produção de energia elétrica (em usinas termoelétricas), dos plásticos todos que estão a nossa volta, do gás de cozinha que produz nossos alimentos. Enfim, somos muito dependentes desse óleo negro.

Calma leitor, não pretendo transferir mais esta culpa, para a já enorme lista de culpas que possuímos. Não sabemos ainda as causas da explosão e talvez nunca venhamos a saber ao certo. Mas convido-o para uma reflexão.

Precisamos de energia de tipos mais variados, mas toda forma de transformar energia em outra, causa algum tipo de impacto ambiental. Não existe a tão propagada “energia limpa”. A palavra da moda agora é sustentabilidade. O uso racional dos recursos naturais de forma a não comprometer as gerações futuras.

Lembro-me que ao completar dezoito anos eu estava ansioso por ter meu carro. Fui à auto-escola no mesmo dia do meu aniversário e em algumas semanas já estava com minha carteira de habilitação. Não demorou muito para conseguir comprar um carro, mas pela falta de condições financeiras não era, como posso dizer…bem.. UM CARRO, mas um carro, com dez anos de uso. Sem dinheiro para a manutenção, nem mesmo para pneus novos, movia-me por toda a cidade e até fora dela sem as mínimas condições de segurança, mas eu tinha um carro. Felizmente fui “ajudado” pela estatística e nada de mal me aconteceu (os micos quando o carro me deixava na mão, não contam).

O que essa história tem a ver com a explosão da plataforma de petróleo? Chamamos isso, em física da relatividade do referencial. É uma questão de escala. Se 1% da população brasileira jogar meio litro de óleo pelo ralo teremos um derramamento de óleo equivalente ao da plataforma que explodiu. O que quero dizer é que a explosão concentra o que às vezes é feito de forma diluída.

Sempre me pergunto o que teria acontecido se, logo após a invenção do automóvel, a sociedade não tivesse feito a opção do uso pessoal  do automóvel. O que teria acontecido se tivéssemos optado somente pelo transporte coletivo, como aconteceu com os aviões (estou ignorando os poucos que possuem um avião particular). Mas agora é tarde, não temos mais a chance de voltar atrás nessa decisão.

A questão é se continuaremos a seguir deixando que toda invenção tecnológica decida, quase que por si só, se ela deve ser utilizada em massa ou não. Regulada por “entes” como “mercado” e “demanda”. Será que não somos capazes de fazer previsões e evitar colapsos futuros?

Infelizmente também não sei a resposta. Mas acredito que manter uma atitude crítica em relação às inovações tecnológicas é fundamental. Ter a noção de que somos agentes dos processos de produção e consumidores vorazes de energia já é um passo.

Me perdoem o clichê do clichê.  Sei que não voltaremos a usar velas e lamparinas. Mas também não devemos usar uma tecnologia se não estamos preparados para ela. É eu sei o que você está pensando e concordo (eu não devia ter comprado um carro aos dezoito anos).