Posts Tagged ‘física e diversão’

Será mesmo simples esse pêndulo?

abril 23, 2014

Para aqueles que ainda não acreditam que há beleza na física ou em uma fórmula matemática segue  a dança dos pêndulos ou Pêndulo de Onda:

Tudo parece ter começado com o brilhante Galileu Galilei: durante uma missa ele observou que a oscilação de um lustre parecia permanecer constante. Após alguns estudos constatou que o período do pêndulo (tempo necessário para ele completar um ciclo) não dependia de sua massa, mas somente do comprimento do fio (e da aceleração da gravidade local), chegando à expressão:

Onde L é justamente o comprimento do fio e g o valor da aceleração da gravidade local (no laboratório podemos usar um pêndulo simples para determinarmos com relativa precisão o valor da aceleração da gravidade de nosso planeta).

A dança dos pêndulos mostrada no vídeo é produzida ajustando-se o período de cada pêndulo através de diferentes comprimentos do fio. Dessa forma se eles começarem a oscilação juntos ficarão fora de fase e uma ilusão de óptica criará em nossa mente a impressão do movimento.

Nesse vídeo o pêndulo maior efetua 51 oscilações em um tempo de 60 segundos. Após esse tempo todos os pêndulos voltam a ficar em sincronia e a dança recomeça.

Isaac Newton também estudou os pêndulos e muitos devem conhecer o “brinquedo” mostrado no vídeo abaixo. Ele é um bom exemplo de como podemos encontrar simetria nas leis da natureza. A conservação da energia e da quantidade de movimento no pêndulo de Newton não é tão fácil de explicar, mas sua beleza pode ser admirada mesmo assim.

 

 

 

Isso que dá ter um pai físico

Isso que dá ter um pai físico

 

Nesse outro vídeo podemos ver de outro ângulo e também um pouco de como o pêndulo de ondas foi construído:

 

 

 

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Nosso mundo pode ser somente um jogo?

outubro 24, 2012

Recebi esse link de um aluno Raphael Vieira (Valeu Raphinha), ainda não li a fonte original do trabalho mas resolvi indicar a matéria desse blog pois gostei dele. É uma discussão muito interessante: O que é a realidade? Somos apenas personagens de alguem que está em um jogo muito avançado? Vivemos em um matrix?

O que vocês acham?

copie o link abaixo e cole no seu navegador:

http://literatortura.com/2012/10/23/fisicos-encontram-evidencias-de-que-realidade-pode-ser-uma-mera-simulacao-virtual/

 

Leia mais em

http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=cientistas-querem-testar-se-vivemos-matrix&id=010130121106&ebol=sim

 

Quem quer ser um super herói?

agosto 8, 2012

Que garoto ou garota nunca sonhou em ser um super-herói?

Quando dou aula sobre radioatividade sempre surge a pergunta se a radiação pode gerar uma mutação que te dê super poderes.

A maioria dos super heróis possui poderes especiais, mas a tecnologia pode e ajuda alguns deles. Bruce Wayne, alter ego de Batman e Tony Stark, o homem de ferro, não possuem nenhum poder, são “seres humanos normais”, mas com muito dinheiro e muito preparo físico, alem de excelentes lutadores.

Apesar do exagero óbvio dos filmes de ação, os aparelhos utilizados por esses heróis não são apenas obra da ficção, existem versões parecidas no mundo real.

O site abaixo mostra alguns itens usados pelo homem morcego e apresenta algumas versões reais.

http://www.tecmundo.com.br/4332-a-tecnologia-dos-super-herois-batman.htm

Uma das coisas mais legais do Batman é o cabo que permite a ele subir rapidamente em um prédio, o site mostra uma versão real um pouco mais lenta e com um tamanho bem maior do que o do filme, mas que já está sendo utilizado pelo exército e pelo corpo de bombeiros em algumas cidades.

Já para se tornar o Ironman você precisaria desembolsar módicos 3,2 bilhões de reais (U$ 1,6 bilhão), só a armadura custaria em torno de 1,3 bilhões de reais.

O site abaixo fornece detalhadamente quanto custa em média cada item, incluindo aqueles carrinhos que ele usa e destrói nos filmes

http://collider.com/wp-content/uploads/cost-of-being-iron-man-infographic.jpg

Olhando esses custos talvez seja melhor investir em outras medidas para melhorar o mundo do que combater o crime, mas que eu queria dar uma voltinha naquela armadura eu queria.

PS: Gostei bastante do novo filme do Batman, segue a mesma linha dos outros dois, mas confesso que quase sai do cinema de raiva quando eles colocaram Gotham City dentro dos estados unidos, que baixaria.

 

Física e Futebol – Ciência e Corinthians

dezembro 7, 2011

Descobri alguns sites interessantes que relacionam física e futebol (vejam nos links abaixo). Eu mesmo já postei três artigos sobre a jabulani, a bola da copa e o chute de Roberto Carlos na copa da frança:

https://12dimensao.wordpress.com/category/fisica-e-futebol/

Eu poderia falar sobre a mecânica dos movimentos. Ou sobre os efeitos aerodinâmicos do ar sobre a bola, ou de chutes com efeitos, rotação, translação.

Poderia falar sobre o movimento ondulatório das olas feito pela torcida. Sobre a acústica dos diversos sons diferentes. Dos agudos, dos graves, dos ecos, da reverberação.  Dos breves silêncios.

Poderia dissertar sobre óptica. As cores das camisas, as luzes dos fogos, as ilusões de óptica, a difusão através da fumaça.

Ensinar sobre oscilações das arquibancadas, movimentos harmônicos, críticos, ou oscilações forçadas.

A biologia das fantásticas sinapses, que provocam encantos por serem as responsáveis pelos dribles fantásticos, defesas milagrosas, passes desconcertantes, tudo isso poderia ser explorado ao extremo.

Não esqueceria da eletrônica do painel, da energia dos refletores, da informática dos tira-teimas.

Se há matemática? E como!  A trajetória da bola, sistemas caóticos no campo e na torcida, medidas, contagem, probabilidades. Enfim, uma infinidade de coisas.

Mas hoje  tudo isso será ignorado.

Hoje a paixão pela ciência dará lugar à paixão pelo esporte, pela emoção de mais um titulo conquistado, pela vibração de 40 mil torcedores vibrando e cantando sem parar.

Se a morte do ídolo tirou-me lágrimas, a vibração de assistir, ao vivo, ao maior espetáculo da terra, me trouxe a alegria e a rouquidão de tanto gritar:

– É CAMPEÃO!!!!!

http://www.cienciamao.usp.br/cienciasfisicas/index.php?painel=36

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-47442004000400003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=1840&op=all

http://www.univesp.ensinosuperior.sp.gov.br/preunivesp/115/f-sica-no-futebol-.html

Tempo relativo ainda…

outubro 24, 2011

4 ESTAÇÕES EM UMA CANÇÃO:

Planeta dos Macacos – Uma origem desnecessária

agosto 31, 2011

Em 1968 foi lançado o filme que no Brasil recebeu o nome de: O planeta dos macacos. Trata-se de um filme de ficção científica, baseado no romance de Pierre Boulle, La planète dês singes. Estrelado pelo famoso ator Charlton Heston e dirigido por Franklin J. Schaffner. O filme foi um grande sucesso, tanto que rendeu quatro sequências, mas nenhuma delas fez o mesmo sucesso do original. Além das sequências, foi criada uma série de TV nos anos 70. Em 2001 Tim Burton fez um remake do filme de 68, mas mudou alguns elementos.

O filme de 68 retrata a história de quatro tripulantes que partem da Terra em uma espaçonave que se move à velocidades próximas a da luz, para comprovar que nessa alta velocidade o tempo para eles vai passar mais devagar do que na Terra.

A espaçonave acaba caindo em um planeta desconhecido e somente três tripulantes sobrevivem. Eles acabam encontrando seres humanos que habitam esse planeta, mas os mesmo não falam. Comunicam-se através de sinais somente. Para surpresa dos cientistas da espaçonave a raça dominante do planeta são macacos, que montam cavalos, escravizam os humanos e falam (inglês, diga-se de passagem).

A cena final do filme tornou-se um marco na história do cinema, e para quem não assistiu eu vou contar nesse parágrafo, se não quiser saber pule essa parte. Trata-se de uma cena antológica e surpreendente. Pois o filme inverte várias proposições. Após serem capturados, os novos humanos são estudados pelos macacos, e esses acreditam que os macacos são descendentes dos homens. Ao descobrirem que os novos humanos defendem que em seu planeta ocorre o contrário, fica óbvio que esses humanos são caçados até a morte.  No final do filme o único sobrevivente da espaçonave está fugindo (com uma bela morena muda, na garupa de seu cavalo) quando encontra, na praia, as ruínas da estátua da liberdade, conclusão: eles estavam na própria Terra o tempo todo. Como na época em que o filme foi lançado se vivia em plena guerra fria, o filme foi tratado como um aviso ao perigo de uma guerra nuclear, que poderia extinguir os humanos ou levar-nos a uma nova época das cavernas.

Lembro de ter assistido ao filme muito novo (dez ou doze anos), mas que ele me impressionou muito. A maioria da minha geração costuma lembrar bastante da série de TV, os macacos metiam muito medo na gente.

A moda há algum tempo é pegar filmes clássicos e criar uma origem, contar como a história pode ter começado. Para alguns filmes isso funcionou bem, como o Batman Begins, Dragão vermelho e Hannibal – A origem do mal (história do famoso canibal Hannibal, do filme: O silêncio dos inocentes) e recentemente X-men first class.  Mas em planetas dos macacos a decepção foi grande.

Pra falar a verdade não me decepcionei não, pois já esperava um filme ruim. Não conseguia imaginar como poderiam criar uma história que justificasse a ideia de macacos evoluírem, seguindo exatamente a mesma evolução pela qual passou o homo sapiens sapiens, que somos nós.

Existem histórias que não devem ser explicadas. Não importa o que causou ou gerou o fato, assume-se o fato e cria-se uma história em cima. A explicação, se não for muito boa, pode destruir a história principal. Foi o que aconteceu com Highlander, o guerreiro imortal, de 1986, com Christopher Lambert e Sean Connery. Um filme belíssimo, uma boa história, uma linda fotografia e uma excelente trilha sonora do Queen. O filme fez tanto sucesso que resolveram continuar, fazendo talvez a pior sequência de todos os tempos: uma trilha sonora horrível, uma fotografia escura e triste, e uma explicação de porque os guerreiros eram imortais. Conclusão, fracasso total.

Castelo do filme Highlander

Nesse quesito não é o que parece estar acontecendo com O Planeta dos macacos, que nos EUA ficou na liderança das vendagens de bilheteria. Talvez por causa dos efeitos especiais que são bons. Mas a meu ver nada excepcional. A história é muito fraca e não convence.  Óbvio que a opção para o domínio dos macacos foi a engenharia genética, que tornou alguns macacos gênios, da noite para o dia, e pior esses macacos se rebelaram e com lanças arrancadas das grades do zoológico venceram homens armados com poderosas armas de fogo e helicópteros.

Enfim, se as grandes companhias cinematográficas investem tanto em propaganda para tornar o filme um sucesso de bilheteria, porque não gastar um pouquinho a mais e escolher um bom roteirista que consiga ao menos criar um boa história.

Escher – Imperdível: Exposição do grande mestre chega à São Paulo

abril 26, 2011

Exposição: O mundo mágico de Escher

Onde: CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil)

Endereço: Rua Álvares Penteado, 112  – Centro – Próximo as estações São Bento e Sé do Metro

Quando: De 18 de Abril até 17 de Julho de 2011 (não deixe para depois, você pode perder)

Quanto: ENTRADA FRANCA (GRATUITO)

Horário: Terça a domingo das 9 às 20 horas.

Classificação: livre

Já abordei um pouco sobre M.C. Escher no post: A origem: cinema e tecnologia, imaginação e arte, subconsciente e geometria, efeitos especiais e inteligência: https://12dimensao.wordpress.com/2010/08/18/a-origem-cinema-e-tecnologia-imaginacao-e-arte-subconsciente-e-geometria-efeitos-especiais-e-inteligencia/

É muito difícil encontrar alguém que goste de matemática ou física e não aprecie a obra desse grande mestre. Maurits Cornelis Escher (18981972) foi um artista gráfico holandês. Escher simplesmente constrói um mundo impossível, distorcendo leis básicas da física e representa no espaço bidimensional, um mundo que em 3 D seria impossível.  Mas não quero ficar aqui falando sobre o Escher. É preciso que você vá à exposição e confira com seus próprios olhos. O mais interessante é que alem de seus quadros clássicos, há também muitas salas interativas, onde o observador pode interagir com as ideias de Escher. Foram construídas salas que tentam representar algumas obras do autor, como a sala onde você e seu amigo podem ser fotografados em perspectivas diferentes, dando a impressão de que um é bem maior que o outro (veja foto dos meus alunos abaixo):

No poço infinito é possível ver a relação que Escher tinha com a matemática, principalmente com a ideia de infinito. Um poço onde infinitas imagens de você e outras pessoas aparecem. Além de um filme em que é possível viajar por dentro das obras de Escher em 3D, simplesmente demais.

Espero que vocês possam ir , e se o fizerem, deixem comentários aqui.

Escher – Site oficial :

http://www.mcescher.com/

Mais sobre a Jabulani…

novembro 4, 2010

Lendo os posts sobre a Jabulani, a bola da copa do mundo, que causou tanta polêmica, minha amiga e professora de matemática, Aline Matheus, comentou que um matemático conhecido nosso, tinha publicado um artigo sobre a bola, fazendo uma análise matemática da forma como ela é construída. (José Luiz Pastore de Mello  – PAINEL I: A JABULANI – REVISTA DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA No 73).

Pedi que a Aline fizesse um post para ser publicado aqui no 12ª. Dimensão, mas fim de ano para professor é como 25 de dezembro para Papai Noel, então procurei o artigo do José Luiz e  o achei muito interessante, principalmente depois de assistir ao vídeo, que ele recomenda, mostrando o processo de fabricação.

Não percam a chance de aprender um pouco de matemática e relacioná-la ao esporte mais famoso do mundo. Por exemplo, vocês sabiam que o interior da bola tradicional é feita a partir de um icosaedro truncado e que o interior da Jabulani é feita a partir de um dodecaedro? Pois é, leiam o artigo, é bem curto e muito didático, ele está no link abaixo (se você não sabe o que é um icosaedro truncado não fique triste, tem figuras coloridas mostrando que “bicho é esse”):

http://www.rpm.org.br/conteudo/73/jabulani.pdf

Já o vídeo da fabricação da bola está em:

Recentemente, físicos franceses estudaram a trajetória que a bola fez, numa cobrança de falta, do então lateral esquerdo da seleção brasileira Roberto Carlos. Eles conseguiram modelar uma função matemática que descreve de forma perfeita a trajetória da bola desde o chute até o balançar das redes, neste jogo que terminou em empate por 1 X 1, contra a frança, em um torneio em Lyon, em 1997.

Na época muitos comentaristas afirmaram que o gol desafiava as leis da física, pois é, estavam errados. Os franceses estudaram e conseguiram provar que a física pode explicar um gol tão estranho. Será que foi por isso que eles nos derrotaram no final da copa do mundo no ano seguinte?

Não que sirva de consolo, mas veja o vídeo do gol e a explicação física usando computação gráfica.

Resta a pergunta, Roberto Carlos repete uma dessa com a Jabulani? Eu aposto que sim.

http://oglobo.globo.com/esportes/mat/2010/09/02/cientistas-desvendam-segredo-de-famoso-gol-de-falta-de-roberto-carlos-917535960.asp

A origem: cinema e tecnologia, imaginação e arte, subconsciente e geometria, efeitos especiais e inteligência.

agosto 18, 2010

Na semana passada assisti ao filme: “Inception” intitulado no Brasil: A origem e estrelado por Leonardo DiCaprio. O filme foi escrito, produzido e dirigido por   Christopher Nolan,  o mesmo diretor  dos novos filmes do Batman: “Batman Begins” e “O cavaleiro das trevas”. Nolan também é roteirista do excelente Memento (no Brasil: Amnésia ) de 2000.

A origem pode ser classificado como um filme de ficção científica, na mesma linha de Matrix. Inclusive a temática é parecida, a grande questão: o que estamos vivendo é a realidade? Também nesse filme, assim como em matrix, os personagens podem entrar numa espécie de mundo virtual, mas nesse caso este mundo pertence ao sonho de alguém.

Em “Mullholand Drive” (No Brasil: Cidade dos sonhos) um drama de 2002 do diretor David Lynch, ficamos perplexos com a confusão que o diretor nos coloca ao transformar o filme num verdadeiro sonho. Agora Nolan nos insere no sonho de um personagem e de dentro do sonho somos enviados a outro sonho e mais outro, como se fosse uma “matrioshka”, aquelas séries de bonecas russas que ficam umas dentro das outras.

Matrioshka - as bonecas russas

É preciso estar bem acordado para ver o filme, mas a complexidade de A Origem de Nolan não chega nem perto da de Cidade dos Sonhos de Lynch. Mesmo assim o filme vale muito a pena, por ter uma idéia inteligente, atores excelentes e imagens impressionantes. O filme ainda pode agradar aos fãs de filmes de ação pois toda a questão sobre sonhos e realidade servem como pano de fundo para um tema bem batido, o crime perfeito. Dentro disso não faltam tiros e perseguições, que a meu ver são a parte fraca do filme. Talvez por saber que os personagens estavam dentro de um sonho, fica dificil “entrar no filme” nas partes que envolvem a ação.

O que mais me agradou no filme, e que me motivou a escrever aqui no blog, é como o filme casa tão bem efeitos especiais e ficção científica. É uma pena que a maior parte dos filmes de efeitos especiais sejam sobre catastrofes, destruições do planeta, ataques de monstros ou alienígenas. A carência de roteiros inteligentes, para filmes que contenham esses efeitos, acaba levando a um preconceito de que efeitos especiais e qualidade são inversamente proporcionais. Mas Nolan já havia mostrado sua competencia em Amnésia. Um filme cujo enredo é muito simples e barato, mas que ao ser montado de tras para frente transformou-o num excelente filme. Lembro-me que ao assisti-lo no cinema pela primeria vez, fui ficando muito incomodado com a confusão inicial, mas quando o filme acabou tudo fez sentido e foi uma sensação ótima de compreensão, como se um enorme quebra cabeça tivesse sido montado em alguns segundos. Engraçado que no filme Cidade dos Sonhos de Lynch a sensação foi exatamente ao contrário, uma imagem que parecia pronta, é despedaçada a medida que o filme vai terminando e quando acaba, a sensação é que faltam peças para montar o quebra cabeça.

Mas voltando ao filme A Origem, outro detalhe que merece destaque aqui são as referencias, não citadas, ao artista gráfico M. C. Escher. Mestre da ilusão de óptica, Escher utiliza, de forma brilhante, elementos da geometria e do infinito para criar cenas impossíveis e perturbadoras, como a água que sempre desce mas que retorna ao ponto de partida ou escadas que sempre sobem. O filme explora bem isso, já que nos sonhos, nosso subconsciente pode criar cenários inusitados.

Vejam abaixo algumas obras de Escher e o video do trailer do filme.

Invisibilidade. Ficção e Realidade.

julho 7, 2010

 

Quem nunca sonhou em ser invisível? Lembro-me de que das vontades que eu tinha, quando criança, essa só perdia para a vontade de voar. Nessa época, havia dois seriados cujo herói era um homem invisível. Em um deles, o personagem era sempre invisível e por isso tinha que usar uma máscara, o outro ficava invisível apertando um botãozinho no relógio (vocês mais novos devem estar pensando: que babaca! Não é? Mas aposto que muitos colecionavam os bonequinhos dos cavaleiros do zodíaco, criança é “um bicho bobo” mesmo, principalmente os meninos).

Em filmes como Harry Potter ou O Senhor dos Anéis, a invisibilidade aparece em itens mágicos como mantos ou capas. Já nos super-heróis temos a mulher invisível do quarteto fantástico.

O grande escritor de ficção científica do século XIX, H.G. Wells, nos brindou com muitas questões intrigantes e atuais. Em “A máquina do tempo” ele aborda as viagens pelo tempo. Em “Guerra dos mundos” somos invadidos por seres extraterrestres, Na aventura “A ilha do Dr Moreau” ele previu as questões relativas a clonagem e engenharia genética e em “O homem invisível” um cientista torna-se completamente invisível depois da manipulação de compostos químicos. Será que a máquina do tempo foi realmente uma ficção? Ou ele realmente criou uma máquina do tempo,viajou ao futuro e voltou para criar estórias fantásticas?

Nas forças armadas os aviões  F-117 Nighthawk  e o B2 Spirit Stealth Bomber

são chamados de invisíveis, pois conseguem fugir dos radares absorvendo as ondas enviadas pelos mesmos. Essa absorção acontece entre outras coisas, graças a uma tinta especial e uma arquitetura completamente diferente do avião.

Para entender a física da invisibilidade é preciso entender a óptica básica da visão. Muitos ainda pensam como Aristóteles, achando que a visão parte dos nossos olhos para o objeto, mas é o contrário. A visão só é possível se o objeto que está sendo visto emite luz ou reflete luz. A luz deve partir do objeto para nossos olhos e não o contrário.

Por isso não conseguimos enxergar no escuro, sem luz, sem visão. As vezes conseguimos distinguir alguma coisa num quarto escuro, mas é que na verdade não há escuridão total e sim a penumbra. Na falta total de luz, não tem como enxergarmos. Alguns animais conseguem “ver” no escuro porque possuem sensores térmicos e captam o calor emitido por suas presas, portanto eles enxergam em outro comprimento de onda (outra freqüência) de luz.

Como tornar algo invisível então?

No Best Seeler de 1987 Operação Cavalo de Tróia  de J.J. Benitez, que rendeu 7 continuações, no romance fictício, mas que pretende ser tratado como real, é descrito uma espaçonave que fica completamente invisível. Para isso a espaçonave emite, em torno dela mesma, raios infravermelhos que absorveriam a luz visível que incidisse sobre ela. Sem refletir luz ela seria invisível, segundo o autor.

O autor esqueceu apenas de um pequeno detalhe, ao absorver toda luz que incide sobre a nave, tudo que estiver atrás dela não será visto, a nave não ficará invisível e sim uma enorme macha negra viajando por sobre as cabeças das pessoas.

Um objeto só será invisível se permitir que a luz o atravesse quase totalmente (ou como veremos, se a luz puder contorná-lo).  No laboratório de física do colégio realizo um experimento que mostra como tornar um bastão de vidro invisível , algo parecido com o que é mostrado nesse vídeo:

No vídeo foi usado glicerina, eu utilizo tetracloroetileno. Esses líquidos possuem uma densidade muito parecida com a do vidro, assim quando mergulhamos um bastão de vidro neles, a luz atravessa o líquido e o bastão praticamente sem desvio e por isso não podemos enxergá-lo. No laboratório o experimento chama bastante atenção. Primeiro mergulho o bastão em um béquer vazio e o bastão pode ser visto com clareza. Depois encho o béquer com tetracloroetileno e ao mergulhar o bastão, ele some, fica somente uma pequena sombra como se ele estivesse envolto no manto do Harry Potter.

Apesar do sucesso o experimento deixa os alunos um pouco decepcionados. Quando comento que para ser invisível um objeto precisa  ter a mesma densidade do ar, não demora muito até que alguém perceba que seria impossível, para uma pessoa, se tornar invisível.

Mas o que dizer do manto da invisibilidade?

A imagem abaixo não é uma montagem nem traz truque algum:

Esta jaqueta é uma tentativa, ainda tosca, da busca do manto da invisibilidade. Observe que é possível observar o vulto das pessoas que estão atrás de quem está usando a jaqueta. Já que não podemos modificar nossa densidade para se igualar com a do ar, porque não curvar a luz de tal forma que ela não passe através de nós?

Os metamateriais consistem de um arranjo regular de minúsculos componentes que lhe dá propriedades bem diferentes dos materiais encontrados na natureza. A nanotecnologia está revolucionando de uma forma estrondosa a ciência dos materiais e a cada dia novas propriedades estão sendo descobertas. Entre essas propriedades estranhas dos metamateriais estão a absorção praticamente total de toda luz que incide sobre eles, e o índice de refração negativo, que faz com que a luz “vá para o lado contrário” quando curvada.

Usando metamateriais os cientistas conseguiram criar uma espécie de manto da invisibilidade, fazendo a luz contornar o objeto ao invés de atravessá-lo ou ser absorvida por ele. Os primeiros trabalhos foram feitos em comprimentos de onda não visíveis e para planos bidimensionais. Estudos mais recentes já conseguiram curvatura da luz em 3D e para comprimentos de ondas muito próximos do visível.

A figura ao lado mostra como uma esfera poderia ser escondida. A luz, ao atingir o metamaterial seguiria a trajetória das linhas pretas, sofrendo uma curvatura em torno da esfera central e sairiam sem tocá-la.

Os primeiros estudos sobre esses materiais começaram a aparecer em 2007 e é impressionante que tanto avanço pode ser obtido em menos de 4 anos.

Ainda estamos muito longe do manto da invisibilidade. Enquanto isso podemos nos divertir com a deliciosa comédia de John Carpenter “Memórias de um homem invisível” com Chevy Chase, Daryl Hannah e Sam Neill, ou para quem gosta do gênero suspense com efeitos especiais “ O homem sem sombra” de Paul Verhoeven, com Elisabeth Shue, Kevin Bacon, Josh Brolin e Kim Dick, infelizmente, em minha modesta opinião, os roteiristas deixaram escapar uma boa idéia inicial, pois o filme começa muito bem mas depois se perde em clichês idiotas, do tipo perseguição insana. O melhor mesmo é procurar na biblioteca “O homem invisível” do Wells, esse é diversão garantida.

Bibliografia:

Metamaterial electromagnetic cloak at microwave frequencies

D. Schurig, J. J. Mock, B. J. Justice, S. A. Cummer, J. B. Pendry, A. F. Starr, D. R. Smith

Science

Vol.: Vol. 314. no. 5801, pp. 977 – 980

DOI: 10.1126/science.1133628

http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=metamaterial-indice-negativo-refracao&id=010160100428

http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=manto-da-invisibilidade-3d&id=010160100319

http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=010160070503&id=010160070503